A pandemia do coronavírus teve um efeito devastador sobre a segurança alimentar de milhões de brasileiros.
Foto: Agência O Globo
Um homem garimpando
restos de carcaças em um caminhão de ossos, peles e gordura descartados por
supermercados. É assim, dia após dia, que as imagens da fome gritam e vão
retornando ao noticiário nacional.
A fome atingiu 19
milhões de pessoas no país em 2020, ou seja, um crescimento de 85% em relação a
2018. Segundo estudo da Rede Brasileira de Pesquisa em Soberania e Segurança
Alimentar e Nutricional, mais de 55% dos domicílios brasileiros conviveram com
algum grau de insegurança alimentar no ano passado.
Isso significa que
cerca de 116 milhões de pessoas enfrentam problemas que vão desde alimentos de
má qualidade-com consumo excessivo de produtos industrializados e doces, por
exemplo, passando pela instabilidade no acesso
a alimentos, até a fome propriamente dita.
E a insegurança
alimentar é mais frequente nos domicílios chefiados por mulheres, por pessoas
pardas e pretas, nas residências com crianças até 4 anos e nas regiões Norte e
Nordeste do país.
Esse resultado fez a Oxfam,
uma organização internacional que atua no combate à pobreza e à desigualdade, classificar o
Brasil como um dos focos emergentes de fome do
mundo, ao lado da Índia e da África do Sul.
O retrato da fome pode ser emoldurado por vários fatores como descaso, falta de políticas públicas eficazes, desigualdade social e desempregos. Além disso, a fome usurpa a dignidade e a identidade de qualquer cidadão, a dor da fome causa angústia, rouba os sonhos e invalida o futuro sorrateiramente. Dar visibilidade para essa questão é muito mais que um ato social, eu considero simplesmente um resgate humanitário.
Por: Afra Freire
RGM: 19287216
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